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Os bocó-visques

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Durante um tempo desejei fazer parte do lugar, afinal, eu me considerava um deles. Não sou nenhuma beldade, sou pobre, sofro igual a um cão por coisa nenhuma ou por todas as coisas, não tenho saco de me vestir muito bem e, ora bolas, escrevo. Só não deixo a barba crescer e não fedo por questões que fogem ao meu controle.
Somos as mesmas pessoas. Em mim, num grau mais extraterrestre, mas as mesmas pessoas. Se eles são viciados em entorpecentes, eu sou viciada em coisa MUITO pior, que é na minha mãe. Se eles gostam de trilhas em paraísos hippies, eu me exercito tendo pânico ou apneia duas vezes por semana, em casa mesmo. Se eles leem sobre todas as gerações de pobres brasileiros para serem inteligentes, eu venho de uma geração inteira de pobres e sou uma. Olha que maravilha!

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http://viajeaqui.abril.com.br/blog/sao-paulo-cronicas-endereco/os-“boco-visques”/